*** Este site foi criado para divulgar os projetos de pesquisa e os cursos de campo de ecologia ministrados no parque que necessita de ainda mais projetos de pesquisa sobre fauna, flora e educação ambiental! PARTICIPE CONOSCO! *** O texto e ilustrações do site podem ser citados desta maneira: VOLTOLINI, J. C. 2007. Parque Natural Municipal do Trabiju. [on line]. http://trabiju.blogspot.com/ Mês e Ano da consulta.

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Trabalhos desenvolvidos no Parque e apresentados em Congressos

Após iniciar atividades no parque do Trabiju dez anos atrás, apresento os resultados na forma de resumos apresentados em congressos científicos. Os trabalhos a seguir são resultado de cursos de Ecologia de Campo, projetos das disciplinas de Bioestatística, Ecologia e Educação para Ciência e monografias de graduação (TCC) sob minha supervisão e posteriormente apresentados em congresso no Brasil e no exterior.

RESUMOS DE CONGRESSO PUBLICADOS NO PAÍS

1998: IV Congresso Brasileiro de Ecologia, FECAP, Belém. Período: 4-8 outubro. Título: “Efeito de dois métodos de marcação sobre taxas de recaptura de marsupiais e roedores”

1998: IV Congresso Brasileiro de Ecologia, FECAP, Belém. Período: 4-8 outubro. Título: “Eficiência de armadilhas de queda e gaiolas para capturar mamíferos”

1998: IV Congresso Brasileiro de Ecologia, FECAP, Belém. Período: 4-8 outubro. Título: “Estimativas do tamanho populacional de marsupiais e roedores em Floresta Atlântica, Serra da Mantiqueira”

1998: IV Congresso Brasileiro de Ecologia, FECAP, Belém. Período: 4-8 outubro. Título: “Estratificação vertical de marsupiais e roedores em Floresta Atlântica, Serra da Mantiqueira”

2001: V Congresso Brasileiro de Ecologia, UFRGS, Porto Alegre. Período: 4 a 9 de novembro. Título: “Efeito de borda em uma comunidade de marsupiais e roedores na reserva do Trabiju, Serra da Mantiqueira, SP”

2001: V Congresso Brasileiro de Ecologia, UFRGS, Porto Alegre. Período: 4 a 9 de novembro. Título: “Abundância de marsupiais e roedores em áreas com diferentes densidades da palmeira Euterpe edulis na Serra da Mantiqueira, SP”.

2006: XI Encontro de Iniciação Cientifica da UNITAU. Taubaté, SP. Período: 16-20 outubro. Título: “Estrutura da população da palmeira juçara (Euterpe edulis mart.) na reserva florestal do Trabiju, Pindamonahangaba, SP”.

2006: XI Encontro de Iniciação Cientifica da UNITAU. Taubaté, SP. Período: 16-20 outubro. Título: “Sobrevivência de sementes da embaúba-prateada (Cecropia hololeuca miq.) após a dispersão pelo jacú-guaçú (Penelope obscura bronzina)”.


RESUMOS DE CONGRESSO PUBLICADOS NO EXTERIOR

1997: VIII Congresso Iberoamericano de Biodiversidad y Zoología de Vertebrados, Concepción, Chile. Período: 22 a 27 de abril. Título: "Amostragem de mamíferos por armadilhas de queda e gaiolas na Floresta Atlântica do sudeste brasileiro”.

1997: VIII Congresso Iberoamericano de Biodiversidad y Zoología de Vertebrados, Concepción, Chile. Período: 22 a 27 de abril. Título: "Diversidade de marsupiais e roedores no solo e subbosque da Floresta Atlântica do sudeste brasileiro". Data: abril.

Sábado, 5 de Maio de 2007

Imagem de satélite com a entrada do parque (quadrado vermelho)

Imagem de satélite com detalhes da entrada do parque

Mapa da Localização do parque

* Originalmente, a floresta atlântica cobria 80% do Estado de São Paulo e agora está restrita a 6%. Na nossa região, apesar da grande biodiversidade, restam 4% da cobertura florestal primária no médio Vale do Rio Paraíba do Sul, em geral alterada. O parque do Trabiju é um dos poucos redutos ecológicos do Vale do Paraíba e ao redor de uma bela cachoeira abriga várias espécies da flora: angico-branco, embaúba, guarantã, peroba, jaborandi, palmito, samambaias, etc.; da fauna: quati, tatu, macacos, onça, paca, porco do mato, maritaca, periquito, etc.

* Em 1898 foi criada a Reserva Ecológica do Trabiju (RET) para preservar os mananciais de Pindamonhangaba. Há resquícios de construções e plantações da antiga fazenda na Reserva além da floresta pluvial tropical Atlântica, uma plantação de Eucaliptus sp., de 2-3 ha na entrada da reserva e um campo abandonado de cerca de 1 ha junto. A área foi explorada até o começo do século e a retirada de palmito prosseguiu até o início dos anos 2000.

* A Lei nº. 1627, 27/06/1979, cria e denomina "Reserva Florestal do Trabiju", toda a área compreendida pela Fazenda Represa de propriedade do Município, localizada no bairro denominado Trabiju, a cerca de 16 km do centro de Pindamonhangaba (SP). Esta Lei proíbe desmatar qualquer parcela daquela propriedade e retirar espécimes da fauna e da flora existentes naquela mata.

* Contudo, esta denominação provavelmente não é mais apropriada pois segundo dispõe a Lei Federal n° 9.985/00 (Artigo 11), que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, os parques nacionais devem ter: “como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividade de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico”. Segundo a lei, este parque foi criado pelo município e deve ser chamado de "Parque Natural Municipal". A Lei foi regulamentada pelo Decreto Federal nº 4.340, 22/08/2002. Deste modo, o correto é que o local seja no futuro denominado de "Parque Natural Municipal do Trabiju (PNMT)".

* O parque ocupa 603,9 hectares, entre altitudes de 650-1.100m, no município de Pindamonhangaba, SP. Localiza-se nas encostas da Serra do Palmital, no limite oeste da subzona geomorfológica da Mantiqueira oriental, na Zona da Serra da Mantiqueira, divisão do Planalto Atlântico. A delimitação do parque ainda não está disponível mas nas coordenadas 22°50'39.57"S, 45°31'2.15"W estão as construções semelhantes a ocas indígenas e que são utilizadas para atividades de educação.

* O clima é Subtropical quente com inverno seco com baixa pluviosidade, a temperatura média anual é de 17ºC a 20ºC e a temperatura no verão é de 21ºC à 32ºC. A umidade relativa do ar (média anual) é de 75,9% e a precipitação pluviométrica (média anual) é de 1.000mm com chuvas bem distribuídas durante o ano.

* A partir de 2007 o Grupo de Estudos em Ecologia de Mamíferos (ECOMAM) da UNITAU iniciou novos projetos e cursos no parque e estes serão divulgados neste ambiente com o objetivo de auxiliar no plano de conservação e manejo da reserva. No mês de maio ocorreu o primeiro curso de campo de ecologia no parque com o grande apoio da Prefeitura de Pindamonhangaba, do "Núcleo de Educação Ambiental Ribeirão Grande" e da Faculdade de Pindamonhangaba (FAPI).

* Os alunos desenvolveram estudos sobre a conservação da flora e fauna do parque e agora eles receberão aulas sobre como criar um banco de dados, analisar e interpretar os resultados através de gráficos e testes estatísticos e depois eles apresentarão o relatório que servirá ao plano de conservação e manejo do parque. Os trabalhos serão apresentados em congressos ainda este ano e espero que todos eles sejam publicados!

Este e outros cursos de Ecologia de Campo são realizados num final de semana. O conograma de atividades pode apresentar variações mas em geral ocorre em três módulos:

1 - SEXTA FEIRA (19:00-21:00h): A equipe recebe um treinamento teórico sobre como iniciar projetos de pesquisa de ecologia em campo.

2 - SÁBADO (7:00-19:00h): Ocorre o reconhecimento das trilhas, formação de grupos de pesquisa, definição das perguntas, variáveis, métodos de amostragem e a coleta dos dados.

3 - DOMINGO (8:00-19:00h): Os dados são analisados no campo ou na cidade utlizando apenas calculadoras simples e se possível computadores e a tarde iniciamos um mini-congresso do curso com os grupos apresentando seus resultados na forma de um painel de congresso.


Sexta-feira, 4 de Maio de 2007



A turma do primeiro ano de Biologia da UNITAU visitou a reserva no início do ano e agora eles voltam em maio para um curso de campo de ecologia e espero que muitos de vocês continuem no nosso grupo desenvolvendo projetos de pesquisa nesta reserva!

Aqui está a equipe do primeiro Curso de Campo de Ecologia na reserva! Parabéns a todos vocês pois trabalharam muito e o esforço valeu a pena!


No final do dia ninguém aguentou mais de tanto caminhar e a cachoeira foi um presente!

Esta é a parte de cima da mesma cachoeira!


O perfil da vegetação secundária na reserva com poucas árvores de grande porte mas o subbosque bem fechado e muitas luz chegando até o solo. No curso de campo de ecologia os alunos desenvolveram projetos para investigar a transição da vegetação com ação humana mais intensa até o alto da montanha em locais de difícil acesso onde a vegetação é mais conservada.

O perfil da vegetação secundária tardia nos locais mais altos do parque e com pouca luz chegando até o solo, mais árvores de grande porte, maior densidade de palmitos e subbosque mais aberto. Estes são os locais com registros de caça e retirada ilegal do palmito e os projetos desenvolvidos nos cursos visam compreender melhor como a floresta funciona e qual o impacto humano no local mesmo sendo de difícil acesso.

O sapo dourado (Brachycephalus ephippium) que ocorre em meio das folhas no chão da floresta e pode ser encontrado em grande abundância em algumas épocas do ano!

O sapo de chifre (Proceratophrys Boiei) que come insetos
usando a camuflagem para capturar suas presas!
O lagarto que fotografamos ainda nao foi identificado!

Olhem o que nos esperava assim que sentamos para conversar; uma jararaca! A reserva possui várias espécies de serpentes venenosas e por isso deve-se utlizar calçados adequados como botas longas e grossas e de preferência perneiras de couro para evitar acidentes.

Durante o nosso curso de campo de ecologia avistamos 4 jararacas em um único dia e portanto TODO vistante deve usar a proteção da perneira de couro ou botas grossas!

Outro animal muito comum e que requer atenção é a aranha armadeira mas é mais avistada durante a noite apenas!


As borboletas do gênero Caligo são de grande porte, sendo que todas possuem mais de 10 cm de envergadura; as larvas apresentam coloração parda no último estádio, são gregárias nos três primeiros estádios e na sua grande maioria com hábitos crepusculares; voa lentamente ao amanhecer e ao entardecer. Durante o dia, pousada à sombra da vegetação, mostra, nas asas posteriores, duas manchas ocelares, uma em cada asa, que lembram olhos de coruja. Essa adaptação serve para enganar seus predadores. Existem centenas de espécies de borboletas no parque prontas para serem estudadas!
A reserva possui quase 600 espécies de árvores
esperando por um projeto de pesquisa!



O Palmito (Euterpe edulis) é uma das plantas mais importantes na reserva pois está em extinção e infelizmente ainda existem registros da retirada ilegal dentro da reserva. Um dos nossos projetos é sobre a ecologia e a conservação desta espécie.

Prof. Dr. J. C. Voltolini

Voltolini
Taubaté, SP, Brazil
Biólogo, pesquisador, professor universitário e com interesse em ensino de ecologia teórica e estatística aplicada à ecologia através de cursos de campo.
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